sábado, 6 de janeiro de 2024

ZAGALLO ETERNO TEM 13 LETRAS

A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no Planeta Terra. O caminho nesse mundo de Mario Jorge Lobo Zagallo foi muito vitorioso e, ao mesmo tempo, polêmico. A polêmica que acompanha os líderes em suas decisões. O Velho Lobo conviveu com sua principal parceira, a vitória. De vez em quando, equivocado nas palavras e nas ações. No entanto, ainda bem que Zagallo não era perfeito. A suposta perfeição é insossa. 

O ex-ponta-esquerda e treinador se encaixa perfeitamente naquela ideia criada no clássico 'O Homem que matou o facínora', de John Ford: "CASO A LENDA SEJA MAIOR DO QUE O HOMEM...PUBLIQUE A LENDA". Zagallo era a LENDA. Na verdade, ele era a personalidade número 2 da seleção brasileira. Obviamente, em termos de qualidade técnica, vários jogadores estavam à frente do falso ponta-esquerda, porém, o Lobo foi o maior vitorioso com a Amarelinha em todos os tempos. 

Zagallo mostrou inteligência tática e se transformou no primeiro falso 11 do futebol mundial. Na Copa do Mundo de 1958, com a camisa 7, o grande jogador canhoto voltava e se transformava em um terceiro meia auxiliando Zito e Didi na marcação. Sempre original. Foi bicampeão como titular novamente em 1962. 

Em 1970, Zagallo conquistou o tri como técnico. Colocou Everaldo como uma espécie de terceiro zagueiro e liberou Carlos Alberto Torres para avançar pela direita. O brilhante meia Piazza virou quarto zagueiro. Do meio para frente, Zagallo escalou quatro camisas 10: Pelé (Santos), Gérson (São Paulo), Rivellino (Corinthians) e Jairzinho (Botafogo). Tostão era um hiper craque, mas não era o 10 do Cruzeiro naquele ano. Jogou sem um 9. Mario Jorge Lobo Zagallo antecipou tendências. O escrete de 70 já utilizava um esquema semelhante ao de Guardiola no Barcelona, com o principal jogador do time livre como um falso centroavante. Messi era a referência no setor ofensivo catalão. Pelé era o 'pseudo' 9 do melhor elenco de todas as ERAS do futebol. 

Zagallo antecipou até algumas ideias dinizistas. No ano passado, quando precisava atacar mais o adversário no segundo tempo, Fernando Diniz improvisava o volante André de zagueiro em vários jogos da vitoriosa campanha do Fluminense na Conmebol Libertadores. O treinador vice-campeão mundial sempre puxou bons camisas 5 para a linha defensiva. 

O falecido ex-jogador e técnico da seleção brasileira, Mario Jorge Lobo, quase sempre foi um vanguardista. Errou nas Copas de 1974 e 1998, mas as vitórias superaram (e muito) os insucessos. 

Ainda teve o quarto título do Velho Lobo. Como coordenador técnico, Zagallo foi campeão mundial, em 1994, depois de um jejum de 24 anos da seleção brasileira. O único tetracampeão mundial na Terra. 

Quando o Estadual era um título muito expressivo, Zagallo ganhou cinco Cariocas, ou seja, dois com o Botafogo, dois com o Flamengo e um com o Fluminense. 

Mario Jorge Lobo é sinônimo do verbo vencer. 

ETERNO ZAGALLO. Descanse em paz. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Um ano sem Pelé e um futuro distópico para o futebol brasileiro

Assombro. Esse era meu sentimento quando vi jogadas de Pelé pela primeira vez. Não assisti a nenhum jogo do Rei no estádio. Nasci em 1979. Em 1987, meu pai me presenteou com filmes sensacionais em uma tarde mágica de sábado: ‘Brasil Tricampeão’ e ‘Isto é Pelé’. Os dois me deixaram louco. Assistia, rebobinava as fitas, era a época do videocassete, e via de novo. Quantos lances fantásticos. Nunca tinha visto (e nem vi depois) algo perto daquilo. As jogadas de Maradona e Messi foram as que mais me encantaram depois das imagens que vi em DVDs e na Internet de uma dupla sensacional: Edson Arantes do Nascimento, o maior atleta de todos os tempos, e um tal de Manuel, ou simplesmente Mané. Não, gente. Não é o senegalês muito bom de bola do Al-Nassr. É o astro do documentário ‘Garrincha, Alegria do Povo’. Um dos dez melhores filmes da História do Cinema brasileiro. O quarteto da História do futebol é exatamente nessa ordem: Pelé, Garrincha, Maradona e Messi.

Enfim, fiquei viciado em Edson Arantes do Nascimento. Qualquer especial sobre Pelé e as seleções de 1958 e 1970 (em 1962, o Rei se machucou na fase de grupos, mas conseguiu marcar um golaço no goleiro mexicano de cinco edições de Copa do Mundo, Carbajal) ou reprise de ‘Isto é Pelé’, eu estava de olho em casa.

Com a Internet, tentei ver quase todos os gols. Obviamente, não consegui. E como ‘Pelé Eterno’ é bom! Fiquei mais apaixonado ainda pelo camisa 10 do Santos. Quase vi um gol dele em 1990. Foi em um amistoso entre Brasil 1 x 2 Resto do Mundo. Depois de boa jogada pela esquerda, o atacante Rinaldo ficou marcado por não passar a bola para o aniversariante Pelé, com 50 anos e livre de marcação. Rinaldo foi fominha e chutou para fora. Tomou aquela vaia.

Então, mesmo nascendo depois de Pelé encerrar a brilhante carreira, ele era uma flor de obsessão para mim como diria o jornalista Nelson Rodrigues. O maior jogador da História. Inigualável. A nova geração precisa assistir aquele vídeo do eterno camisa 10 do Santos fazendo jogadas e gols parecidos com os de craques contemporâneos. Na verdade, Messi, CR7 e outros de nossa época copiaram Pelé, sem a perfeição de movimentos do Edson Arantes.

Entrevistei Pelé antes da Copa de 2014. No dia 17 de novembro, troquei a Band pela ESPN. Era minha primeira passagem pela emissora da Disney. Na primeira semana de trabalho, já precisei viajar para São Paulo, ajudando na cobertura sobre a internação de Pelé no Hospital Albert Einstein. Ali, a saúde do Rei já não estava muito boa.


Uma triste data

No dia 29 de dezembro de 2022, a trágica notícia. Aos 82 anos, Pelé faleceu em decorrência de um tumor no cólon e tornava-se realmente eterno em nossas memórias.

Escrevi sobre Pelé nas redes sociais naquela data sombria, principalmente no meu perfil do Instagram (@pvjornalista), e no blog Notícias Acessíveis (www.noticiasacessiveis.blogspot.com). Um sujeito disse que aqueles textos eram baboseiras, e uma colega comentou que não faria homenagens ao camisa 10 das seleções de 1958, 62, 66 e 70 por causa da história da filha do Pelé que precisou de exame de DNA para ser reconhecida. O falso moralismo apareceu com força. Sempre fui a favor daquela máxima de ‘O homem que matou o facínora’, do histórico diretor John Ford: “SE A LENDA É MAIOR DO QUE O HOMEM, PUBLIQUE A LENDA”. No entanto, Pelé/Edson não precisou muito disso.


Com a morte dele, fico pensando em um futuro distópico, como aqueles livros e filmes que mostram esse futuro de forma sombria, para o futebol brasileiro. Existem brasileiros que são protagonistas em times europeus, caso de Rodrygo e Vini Júnior no Real Madrid, mas que não são ainda jogadores diferenciados na seleção brasileira. O camisa 10 atual, Neymar, convive com graves lesões e com a possível decadência técnica. Trocou o Barcelona pelo PSG. Anos depois, vai para o árabe Al-Hilal. Escolhas erradas para a carreira.


Será que o futebol brasileiro morreu com Pelé? O Santos, clube do eterno craque, foi rebaixado no Brasileirão em homenagem ao Rei. Uma tristeza. Tomara que a seleção e o futebol do Brasil não desapareçam. Na final do Mundial, o abismo entre o inglês Manchester City e o brasileiro Fluminense foi visível. Logo, o Brasil que mostrou à Inglaterra que havia reinventado o futebol. Em 2002, o Brasil foi pentacampeão. Inglaterra sentiu o gosto de ser campeã apenas em 1966, em casa e com ajuda da arbitragem naquela Copa. Atualmente, creio que a seleção inglesa, enfim, é melhor do que a nossa.


Tomara que nossa seleção volte a evoluir. Por enquanto, a decadência é impressionante. Não tem um camisa 10, não possui um camisa 9 e não tem laterais. Será que ficaremos fora da Copa do Mundo pela primeira vez? Que saudade daquilo que não vi. Pelé realmente eterno. Sem a figura dele presente no Planeta Terra, seleção e futebol no Brasil estão perto do fim por falta de uma referência ou de memória? O brasileiro não sabe admirar, ou seja, os defeitos do homem Edson tiveram destaque. O brasileiro tem memória de peixinho de aquário.

Sem abraços por hoje. 


sábado, 23 de dezembro de 2023

Desigualdade na vida e no futebol

Amigas e amigos, o mundo da bola é desigual também. Vou dar um exemplo. O campeão mundial Manchester City tem folha salarial de 1 bilhão de reais. Os Citizens ainda contam com mais 1 bilhãozinho em investimentos. Já o Fluminense luta com unhas e dentes para conseguir honrar com os salários que chegam a 30 milhões de reais no total.


O Tricolor é o pobretão do Rio de Janeiro. Botafogo e Vasco têm dinheiro de SAF. O Flamengo tem o maior capital do futebol brasileiro. Mesmo assim, o time de Guerreiros conquistou dois títulos nessa temporada de forma brilhante: a Libertadores, vencendo o Boca Juniors na final, e o Carioca, goleando o Fla. Com receita menor, o Flu foi o único clube da Cidade Maravilhosa que levou novas taças para a sala de troféus em 2023.

A goleada do inesquecível Manchester City por 4 a 0 é um resultado normal. O Fluminense foi guerreiro, mas, como era de se esperar, inferior. Alguns jogadores como o colombiano Jhon Arias mostraram grande competitividade. André não foi brilhante como normalmente é. Até errou feio no segundo gol dos Citizens. No entanto, a atuação na decisão do Mundial não apaga a bela temporada do volante. Aliás, o Flu dinizista até 4 de novembro, o dia da conquista da maior competição sul-americana, alcançou a nota 10.

Enfim, era um sonho impossível contra um adversário quase invencível. O técnico Fernando Diniz tentou jogar no estilo que conquistou a América do Sul. Repito: o dinizismo foi campeão da Conmebol Libertadores com merecimento. No entanto, conquistar o mundo é bem diferente.

Mesmo sem Haaland, De Bruyne e Doku, o Manchester City continua sendo muito forte. É um dos melhores times da História do futebol. Uma equipe que precisa ser comparada às melhores seleções (vocês leram certo) de todos os tempos. O City é a seleção do Planeta Terra.

Na decisão do terceiro lugar do Mundial de Clubes, o Al Ahly, do Egito, levou a melhor e venceu o Urawa Red, do Japão, por 4 a 2.

Já no mercado da bola, o Flamengo vai atrás de mais uma revelação do rival Fluminense: Luiz Henrique. Craque, o Mengão faz em Xerém. Já Scarpa não será do Fla nem do Palmeiras, mas deve acertar com o Galo do Felipão.

Soteldo saiu do Santos do técnico Carille e vai para o Grêmio, que não contará mais com Luis Suárez. O super camisa 9 uruguaio se transferiu para o Inter Miami do amigo Messi.

O Corinthians contratou o volante Ranielle, ex-Cuiabá. A cara nova do São Paulo é o também volante Bobadilla, que terá como companheiro de setor Luiz Gustavo, ex-seleção brasileira.

O Palmeiras contratou o atacante Bruno Rodrigues, ex-Cruzeiro, e está de olho nos meias Maurício, destaque do Internacional, e Caio Alexandre, do Fortaleza. O Porco mostra bom gosto. O Flamengo tem muito dinheiro e acertou com o uruguaio De La Cruz, mas o Verdão vai nos talentos recentes do futebol brasileiro. Gosto mais do estilo do atual bicampeão nacional. Dodecacampeão na História do Brasileirão.

Já o vice-campeão mundial, o Fluminense, fechou com o zagueiro Antonio Carlos, ex-Orlando City, e o maestro Renato Augusto.

Abraços boleiros e igualitários. Feliz Natal e um 2024 de futebol bonito e vencedor. 

Foto do craque Jhon Arias dando trabalho para a defesa do Manchester City: Lucas Merçon/FFC




sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Depois de conquistar a América do Sul, dinizismo não é páreo para o bilionário time comandado por Pep Guardiola

 A diferença entre as equipes da Europa e da América do Sul é quase infinita. Veja os valores dos elencos do Manchester City, de 1 bilhão de reais em investimentos e outro bilhão para pagar os astronômicos salários, e do Fluminense, de folha salarial de 30 milhões de reais, o primo pobre do Rio de Janeiro. Não é SAF como Botafogo e Vasco, e não chega perto do capital do Flamengo. Não tem como comparar. O time comandado pelo maior estrategista de todos os tempos, Pep Guardiola, conquistou o inédito título mundial. Os Citizens passam por problemas na Premier League, pois estão apenas na quarta colocação do campeonato, porém, têm maravilhosa campanha na Champions, com 100% de aproveitamento.

Mesmo com a derrota tricolor, considero oportuno e justo elogiar o time de Fernando Diniz apesar dos três erros cometidos hoje que foram fatais. Então, Renato Gaúcho, infelizmente, estava certo quando falou que, no estilo quase único do técnico do Flu, ‘errou é gol’? Que coisa!

Quase sempre fui (e ainda sou) muito crítico ao dinizismo, pois vejo mais os defeitos do que as qualidades. Dessa vez, apesar do sonho continuar impossível e do ‘inimigo’ ser invencível nesse momento, mostrarei o quanto alguns integrantes do Fluminense agradaram aos amantes do futebol bem jogado e disputado.

Fabio é um dos maiores goleiros brasileiros da História. Como nunca foi para uma Copa do Mundo? Samuel Xavier superou a desconfiança da torcida com boas atuações que começaram a ser constantes com Abel Braga. Com Fernando Diniz, o jogador tornou-se um símbolo do estilo de jogo revolucionário do técnico, pois virou um lateral sem posição fixa.

Cheguei ao ídolo máximo desse time: o artilheiro Cano. O argentino fez 44 gols no ano passado, 40 em 2023, com direito a passes e a números inacreditáveis, como os 13 gols em 12 partidas disputadas na Libertadores.

Não posso esquecer da dupla Jhon (Arias)-John (Kennedy). Arias é o maestro moderno do time do Fluminense. Está na esquerda, no meio e, principalmente, na direita para criar para os companheiros oportunidades sensacionais de gols. Arias, aliás, mostrou no jogo contra o City ser o mais competitivo do elenco. Cano tem sorte de contar com um companheiro de linha de frente tão talentoso. Caso Jhon Arias seja negociado, o Flu perde meio time.

John Kennedy demorou um pouco a amadurecer fora e dentro de campo, mas mostrou evolução a partir do jogo de volta contra o time do Argentinos Juniors, já estava marcando gols no Brasileirão, mas a divisora de águas mesmo foi a fase final da Libertadores. Com passes e gols, seja como titular ou entrando para desequilibrar no segundo tempo, o jovem integrante da seleção pré-olímpica, convocada por Ramon para uma competição na Venezuela que valerá a vaga nos Jogos de Paris, tornou-se imprescindível.

Ao lado de Arias, o volante André foi o craque do time na temporada. É verdade que falhou no segundo gol do City, mas foi/é o titular que mais entendeu o dinizismo. Muito confiante nas saídas de bola arriscadas que surpreendem os adversários, super competente na marcação, chegando a atuar de zagueiro em diversos momentos da temporada, e muito inteligente na armação de jogadas com passes curtos e longos.

Martinelli demorou um pouco a se firmar por causa de algumas lesões ou mesmo equívocos nos passes, mas atualmente tem segurança e versatilidade quase com notas máximas.

Nino é o xerife da zaga. No segundo gol do Manchester City teve azar. Tem como características interceptações e roubadas de bola sensacionais. Foi o jogador de maior regularidade na final da Libertadores. Sóbrio e inteligente.

Alexsander merece ser lembrado. Destaque da seleção campeã sul-americana sub-20 comandada por Ramon, Alexsander brilhou como lateral-esquerdo no primeiro semestre. Ele é originalmente um primeiro volante canhoto. Mostrou um estilo tático e técnico acima da média como segundo homem ao lado de André.

E o que falar de Fernando Diniz? Gostem ou não, ele é um técnico diferente. Tenho minhas muitas diferenças com ele por causa das ideias do técnico brasileiro do que deve ser o futebol. Diniz criou um jeito de jogar sem posições fixas inacreditável. Inaceitável para os antiquados e para os técnicos sem ousadia. Corre riscos, deixa, principalmente, o torcedor do Flu muito tenso, mas mudou a rotina de esquemas não-flexíveis. Não chega perto da perfeição. Comete alguns erros como o de colocar Marcelo, de 35 anos, e Felipe Melo, de 40, juntos na defesa. Fica vulnerável demais com essa experiente dupla. Marcelo deveria ser uma ótima opção do meio-de-campo para frente. Precisa esquecer a lateral esquerda. Foi Rei com R maiúsculo da posição. Foi.

Parafraseando a letra da música ‘The impossible Dream’, de Joe Darion e Mitch Leigh, adaptada pelo cineasta Ruy Guerra e pelo compositor e escritor tricolor Chico Buarque, o técnico Fernando Diniz se permitiu sonhar o sonho impossível e lutar por grandes ideias quando era fácil ceder. Acabou campeão da América do Sul e se classificando para a final do Mundial. Não venceu o adversário invencível, mas entrou para a História. Não por causa do jogo contra o Manchester City, porém, foi pela campanha na Libertadores desse ano. Sempre mostrou inteligência e teimosia. Às vezes, essa teimosia ajuda. Às vezes, atrapalha.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Fluminense dinizista se permite sonhar com o (quase) impossível, e a imprensa inglesa debocha do campeão da Libertadores

Marcelo tem 35 anos, e cinco títulos da Champions League e quatro mundiais. O Manchester City tem *129 anos e um título da Liga dos Campeões da Europa. O lateral-esquerdo do Fluminense tem história mais vitoriosa do que a dos Citizens?

Por que estou sendo agressivo nas palavras com o melhor time do planeta? Pela falta de respeito da imprensa inglesa com o Tricolor e os jogadores. O jornal ‘The Telegraph’ chamou de time de aposentados o legítimo campeão da Libertadores da América, título conquistado em uma partida fantástica contra o gigante Boca Juniors. O veículo de desinformação compara o Fluminense a uma equipe do 'Soccer Aid', competição beneficente disputada por ex-atletas.

A foto que está na reportagem do jornaleco sensacionalista britânico é a de Marcelo, ou seja, não existe respeito por um craque eterno do maior clube do planeta de todos os tempos, o Real Madrid. Aliás, Marcelo está no pódio dos jogadores mais importantes da História do Madrid, como é conhecido na Espanha.

A falta de respeito é inacreditável. Marcelo ainda é um craque. O Rei não perdeu a majestade. Ah. O lateral de mais de 30 anos não tem mais físico para acompanhar os pontas velozes? A recomposição defensiva com ele e Felipe Melo não é das melhores? Em um determinado lance, essa situação ficou evidente?

No entanto, o dinizismo é isso aí mesmo: correr (muitos) riscos para colher os frutos no final. Essa frase resume bem o dinizismo. Isso aconteceu no jogo contra o Al Ahly.


Em defesa do craque brasileiro


Percy Tau parecia passear na chamada, de forma maldosa, Avenida Marcelo? A velocidade do sul-africano esgotava o velho lateral brasileiro? Mentiras. Farsas. No segundo tempo, Marcelo driblou o tal ‘craque’ do time do Egito de forma humilhante e sofreu o pênalti que abriria caminho para a vitória do Flu. Aliás, na segunda etapa, o Tricolor foi melhor tecnica e fisicamente do que o supervalorizado Al Ahly. O campeão da América do Sul confirmava o favoritismo histórico em triunfo sobre o campeão africano.


Desconhecimento da História (com H maiúsculo) do Futebol


O Flu tem, inclusive, ligações fortes com a Inglaterra. Veja que um dos primeiros ídolos e artilheiros do Tricolor era inglês, o atacante Welfare, que se dividia entre gols importantes e aulas de matemática e geografia. Welfare era centroavante e professor. Que situação triste e debilóide foi criada pelo tablóide. Respeitem, Marcelo, o Fluminense e o Brasil. Aqui não tem ‘Complexo de Vira-Lata’.


Haaland, o artilheiro da falta de educação?


E essa história de que o camisa 9 do Manchester City não tirou foto com meia dúzia de crianças? Aliás, parece que nem sequer olhou para elas. Caso essa situação esdrúxula seja verdade, e é um pouco complicado duvidar das mães que relataram isso, que grosseria inaceitável.


O mar não está para peixe

Kevin De Bruyne, Haaland, o suposto grosseirão, e Jérémy Doku foram cortados horas antes da fase semifinal do Mundial, a partida contra o campeão asiático Urawa Red, o time que tirou o Al-Hilal da edição desse ano da competição.

O pior desempenho na ‘Era Guardiola’ está sendo nesse período. Enquanto o Manchester City está 100% na Champions League, com 18 gols em seis jogos, o time comandado por Pep é ‘apenas’ o quarto colocado da Premier League, com cinco pontos atrás do líder Arsenal. Nas últimas seis rodadas do Campeonato Inglês, perdeu um jogo, empatou quatro e perdeu um, de forma muito estranha para o Aston Villa, dando apenas dois chutes em mais de 90 minutos.


Renato Gaúcho está com inveja?

O técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, assoprou e mordeu (dessa forma mesmo) para falar sobre o estilo dinizista do jogo do Fluminense. Depois de Pep Guardiola falar bem do sistema aposicional de Diniz, Renato fez elogios ao treinador e ao time carioca. Assoprou para dar a dentada em seguida.

“Sou contra o estilo de jogo do técnico Fernando Diniz. É uma roleta-russa. Todo mundo aplaude se sair jogando de forma bonita. Errou, infelizmente, é gol”, disse o treinador do Grêmio ao podcast ‘Joga com a 10’.

Será recalque? Tudo bem que Renato tem uma Libertadores conquistada em 2017 como técnico de uma equipe de garra do Grêmio, contra o fraco Lanús, porém, quando comandava o time muito talentoso do Flu em 2008, ele conseguiu ser vice ao ser derrotado nos pênaltis para a LDU, do Equador. Aliás, com o elenco de astros do Flamengo de 2021, perdeu outra decisão da maior competição do continente sul-americano. Dessa vez, o Palmeiras levou a taça.

Enfim, o sonho do título mundial oficial é possível? Sim. Na verdade, quase impossível. No entanto, pode acontecer, pois o time de guerreiros acredita (e muito) graças ao trabalho de Fernando Diniz em todos os sentidos. Os sete jogadores com mais de 32 anos do Flu, ironizados pelo jornalzinho inglês de quinta categoria, e os garotos talentosos que completam de forma brilhante o time parecem saber os versos da música “The Impossible Dream’, de Joe Darion e Mitch Leigh, adaptada para a língua portuguesa pelos geniais Chico Buarque e Ruy Guerra e interpretada por gigantes como Altemar Dutra, Maria Bethânia, Elvis Presley e Frank Sinatra:

“Sonhar mais um sonho impossível

Lutar quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível”


*Em 1880, o Manchester City foi fundado com outro nome, FC St. Mark’s, e, logo depois, virou Ardwick Association Football Club. Em 1894, enfim, foi refundado como Manchester City.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Inesquecível Fluminense conquista a América em uma jornada familiar (O TEXTO DO TÍTULO DA LIBERTADORES, DO DIA 4 DE NOVEMBRO)

Publiquei meu texto, que está na minha coluna do Portal Terra do dia 4 de novembro, sobre o título da Conmebol Libertadores conquistado pelo Fluminense, aproveitando que o Tricolor venceu o Al-Ahly por 2 a 0, gols de Jhon (Arias) e John (Kennedy), e está na final do Mundial. 

Um título que estava escrito há seis mil anos. Uma saga de dor e esperança. Em 2008, um timaço tricolor, liderado por Thiago Silva, Conca e Thiago Neves, que não conquistou a América por detalhes. Perdeu na disputa de pênaltis depois de exibição de gala no tempo normal, vencendo a LDU por 3 a 1. Enfim, a tristeza é passado. A felicidade é o presente. A antiga Taça Libertadores é do Fluminense. O Gravatinha ajudou espiritualmente o time de guerreiros. Iluminou os caminhos dos dois artilheiros: Germán Cano e John Kennedy. Pois é! O Flu tem dois camisas 9! O argentino usa a 14 para disfarçar e não amedrontar tanto os adversários. O Sobrenatural de Almeira tentou atrapalhar com o gol espírita de Advíncula, mas o próprio ser do além se rendeu ao futebol mágico de Arias e Keno e às atuações de gala de Nino e André. O Sobrenatural virou a casaca de novo.

Como escreveria o teatrólogo Nelson Rodrigues, quem não foi ao Maracanã para assistir aquele espetáculo, infelizmente, não viveu. Os ídolos e torcedores mortos estavam lá também. Saíram de suas tumbas. Os vivos saíram de suas casas, como é o caso do corretor imobiliário e músico João Capdeville, que veio de São José de Campos, no estado de São Paulo, para assistir à final da Conmebol Libertadores. Na carteira, a foto do falecido pai, o pedagogo Vicente de Paulo, e do irmão, o jornalista Paulo Andrade, de 44 anos, que estava com ele no estádio.


Os dois dedicariam o título ao Professor Vicente, que morreu no próprio aniversário de 57 anos em 2007. A Libertadores do ano seguinte, a do genial Conca, seria a da homenagem dos filhos, mas não foi possível. Um minuto depois do título da LDU, Paulo, o primogênito, ainda recebeu uma mensagem de um conhecido flamenguista por SMS, outros aplicativos populares não existiam ainda, debochando do vice-campeonato do Flu. Não foi maldade do torcedor do Fla. Ele não sabia da questão familiar.

Os irmãos se encontraram horas antes da partida e foram ao Maracanã. O novo Estádio Jornalista Mario Filho estava lindo. A Conmebol proibiu mosaicos e o tradicional lançamento de pó-de-arroz da torcida do tricolor. Sem problemas. Bandeiras foram distribuídas para os fanáticos tricolores na arquibancada. Ficou um clima de anos 1970 e 80. Um jeitão do velho Estádio Mario Filho. Melhor. Os mortos se conectavam com os vivos. O Professor Vicente estava ali com os filhos.

Voltando a escrever um pouquinho sobre a partida, o Fluminense dominou o primeiro tempo, mas o gol demorou para sair. O time não chutava tanto assim. No entanto, o técnico Fernando Diniz tinha um plano. E que plano bem pensado e executado. Keno virou ponta-direita e ensaiava tabelas com Arias naquele setor. Aos 35 minutos, a estratégia ofensiva deu certo. Após lançamento, a defesa do Boca Juniors deu um chutão para cima, Ganso recuperou a posse da bola com um toque de cabeça para Keno, que trocou passes com Jhon Arias de forma genial. O camisa 11 deu uma linda assistência para Cano. Obviamente, Germán marcou. Foi o 13º do atacante em 12 jogos na Libertadores desse ano. Ele não atuou em apenas um. Super artilheiro da competição. Fez, até agora, 37 na temporada. Cano tem 81 gols como camisa 14 do Fluminense.

Como escrevi anteriormente, aos 26 minutos da segunda etapa, o lateral Advíncula teve a ajuda do Sobrenatural de Almeida para empatar o jogo. No entanto, com as mudanças corajosas de Diniz, o Tricolor melhorou muito na partida.

O Flu voltou a ter o domínio. Foi para a prorrogação porque o lateral-esquerdo Diogo Barbosa perdeu uma oportunidade inacreditável, depois de bonito passe de Lima, no último lance do tempo normal. No entanto, estava escrito há seis mil anos que o Tricolor venceria a final. Aos nove minutos da prorrogação, Diogo Barbosa lançou para Keno. O inspirado camisa 11 deu um simples e genial passe de cabeça para o predestinado John Kennedy pegar de primeira. Um golaço. Gol de título internacional. Merecido.

Um timaço que entrou para a História. Cano, o artilheiro. JK, o decisivo. Keno, o garçom da fase final. André, o Maestro. Nino, o zagueiro perfeito. Marcelo, a lenda. Samuel Xavier, o lateral dos gols e jogadas importantes. Jhon Arias, o craque da Libertadores.

Ah. Os irmãos João e Paulo choraram, dessa vez, de felicidade. Foi a redenção desportiva e familiar. O Professor Vicente teve a justa e inesquecível homenagem. Ele estava no Maracanã com os filhos. A família tricolor comemorou O título continental e conquistou, enfim, a América. Dessa vez, a vida e o futebol foram justos.








Fluminense confirma favoritismo contra Al-Ahly

 O Fluminense venceu o Al-Ahly com autoridade. Foi a confirmação de que o supercampeão da África não pode nunca ser favorito contra o atual campeão da Conmebol Libertadores. O Tricolor é bem superior ao time de um tal de Percy Tau. Olha o que o Marcelo fez com o ‘craque’ sul-africano. Um drible humilhante, pênalti e gol de Arias. Passou fácil. Nelson Rodrigues iria nos lembrar sobre o complexo de vira-lata, algo que o Flu não teve na semifinal do Mundial. Esse sentimento assola o país desde a derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1 na Copa do Mundo de 1950.

Esse sentimento retornou com força no dia 8 de julho de 2014 quando a seleção brasileira foi goleada pela Alemanha por 7 a 1, em pleno Mineirão, na fase semifinal da Copa daquele ano.

O Complexo de “Cachorro de Rua” vem à tona também com derrotas vergonhosas do Internacional, Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG nas semifinais de edições passadas do Mundial.

O Fluminense passou sufoco no primeiro tempo? Não foi bem assim. Fabio fez uma defesa fantástica (nada milagrosa), mas o Tricolor acertou duas bolas na trave. É normal o goleiro do Flu ter sempre uma intervenção difícil. De acordo com o esquema do Diniz, a vida é assim. Linha alta, e Marcelo e Felipe Melo com idades avançadas precisando correr para fechar a defesa. Sempre foi assim. Não é novidade.

Na segunda etapa, o Flu se mostrou muito superior ao Al-Ahly. Martinelli fez grande partida. Arias e André, principalmente o colombiano, jogaram em bom nível. John Kennedy entrou muito bem novamente, marcando o segundo gol. 

Enfim, é isso. Nada de complexo de vira-lata. O Tricolor venceu com justiça e é finalista.

ZAGALLO ETERNO TEM 13 LETRAS

A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no P...