A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no Planeta Terra. O caminho nesse mundo de Mario Jorge Lobo Zagallo foi muito vitorioso e, ao mesmo tempo, polêmico. A polêmica que acompanha os líderes em suas decisões. O Velho Lobo conviveu com sua principal parceira, a vitória. De vez em quando, equivocado nas palavras e nas ações. No entanto, ainda bem que Zagallo não era perfeito. A suposta perfeição é insossa.
O ex-ponta-esquerda e treinador se encaixa perfeitamente naquela ideia criada no clássico 'O Homem que matou o facínora', de John Ford: "CASO A LENDA SEJA MAIOR DO QUE O HOMEM...PUBLIQUE A LENDA". Zagallo era a LENDA. Na verdade, ele era a personalidade número 2 da seleção brasileira. Obviamente, em termos de qualidade técnica, vários jogadores estavam à frente do falso ponta-esquerda, porém, o Lobo foi o maior vitorioso com a Amarelinha em todos os tempos.
Zagallo mostrou inteligência tática e se transformou no primeiro falso 11 do futebol mundial. Na Copa do Mundo de 1958, com a camisa 7, o grande jogador canhoto voltava e se transformava em um terceiro meia auxiliando Zito e Didi na marcação. Sempre original. Foi bicampeão como titular novamente em 1962.
Em 1970, Zagallo conquistou o tri como técnico. Colocou Everaldo como uma espécie de terceiro zagueiro e liberou Carlos Alberto Torres para avançar pela direita. O brilhante meia Piazza virou quarto zagueiro. Do meio para frente, Zagallo escalou quatro camisas 10: Pelé (Santos), Gérson (São Paulo), Rivellino (Corinthians) e Jairzinho (Botafogo). Tostão era um hiper craque, mas não era o 10 do Cruzeiro naquele ano. Jogou sem um 9. Mario Jorge Lobo Zagallo antecipou tendências. O escrete de 70 já utilizava um esquema semelhante ao de Guardiola no Barcelona, com o principal jogador do time livre como um falso centroavante. Messi era a referência no setor ofensivo catalão. Pelé era o 'pseudo' 9 do melhor elenco de todas as ERAS do futebol.
Zagallo antecipou até algumas ideias dinizistas. No ano passado, quando precisava atacar mais o adversário no segundo tempo, Fernando Diniz improvisava o volante André de zagueiro em vários jogos da vitoriosa campanha do Fluminense na Conmebol Libertadores. O treinador vice-campeão mundial sempre puxou bons camisas 5 para a linha defensiva.
O falecido ex-jogador e técnico da seleção brasileira, Mario Jorge Lobo, quase sempre foi um vanguardista. Errou nas Copas de 1974 e 1998, mas as vitórias superaram (e muito) os insucessos.
Ainda teve o quarto título do Velho Lobo. Como coordenador técnico, Zagallo foi campeão mundial, em 1994, depois de um jejum de 24 anos da seleção brasileira. O único tetracampeão mundial na Terra.
Quando o Estadual era um título muito expressivo, Zagallo ganhou cinco Cariocas, ou seja, dois com o Botafogo, dois com o Flamengo e um com o Fluminense.
Mario Jorge Lobo é sinônimo do verbo vencer.
ETERNO ZAGALLO. Descanse em paz.
2 comentários:
Uma linda homenagem ao Zagallo!
Muita coisa legal aí sobre a visão tática dele!
Linda homenagem ao Zagallo!
Informação nada óbvias sobre a visão tática do Velho Lobo.
Ótimo texto, parabéns!
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