quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Endrick, Raphael Veiga, Zé Rafael e Gustavo Gómez são os destaques do Palmeiras 12 vezes campeão brasileiro

 O que é mais complicado de falar: dodecacampeão, paralelepípedo ou constitucionalissimamente? O Palmeiras chegou ao 12º título na história da competição, e aumenta nosso vocabulário. Brincadeiras à parte, o Palmeiras mereceu ser o campeão brasileiro desse ano. Um time que não pipocou e foi somando ponto atrás de ponto enquanto o Botafogo tropeçava muito. Tirou uma desvantagem de 13 pontos e já conseguiu na penúltima rodada garantir a taça. A diferença era de apenas três pontos, mas o saldo de gols era muito superior.

Endrick, enfim, mostrou o potencial. Dessa vez, deveria ser considerado a revelação do Brasileirão. No ano passado, foi uma decisão precipitada da CBF. Enfim, depois de criticar essa premiação sem merecimento para o atacante em 2022, lembro a partida de 2023 que mudou tudo para o craque-artilheiro de 17 anos. Botafogo x Palmeiras foi o jogo que marcou a competição. O Glorioso fez 3 a 0 no primeiro tempo. Era uma atuação de gala do time carioca, mas Endrick descontou com um golaço no segundo tempo, e Tiquinho Soares teve a chance de dar números finais à partida em um pênalti. Botafogo 4 a 1? Não. O camisa 9 desperdiçou a penalidade máxima e jogou fora o título. 

Reação palmeirense. Endrick fez o segundo golaço dele da noite. Depois, dois cruzamentos na área alvinegra. O Verdão virou para 4 a 3. Flaco López empatou. Murilo marcou o gol da vitória. Ali, o Botafogo perdeu o controle mental para sempre. Ali, o Palmeiras arrancava para o dodecacampeonato.

Endrick, Suárez, Hulk e Paulinho são os caras do Campeonato Brasileiro

Hulk e Paulinho fizeram a dupla do Campeonato Brasileiro. Felipão demorou a entender que o Atlético-MG jogava melhor com as tabelas entre os camisas 7 e 10. Colocava Hulk na ponta-direita e Paulinho na extrema esquerda. Quando percebeu que o Galo era muito mais perigoso com um procurando o outro, o time voltou aos melhores dias.

Com Luis Suárez, o Grêmio deixou de ser um time normal. O uruguaio foi o arco e a flecha, ou seja, rei das assistências e também artilheiro. Sem ele, o Tricolor seria uma equipe no meio da tabela. O trabalho de Renato Gaúcho como técnico amadureceu realmente. Depois de uma imagem de treinador que não queria estudar, pois gazetou o curso na CBF para ir à praia, Renato entendeu direitinho como essa equipe funcionava.

Suárez quase fez bobagem ao tentar trocar o Grêmio pelo Inter Miami, o Barça sub-40 do Messi nos Estados Unidos. Refletiu, viu que existia um contrato e ficou, pelo menos, até o final da competição.

Endrick apareceu mais na fase final do Brasileirão, porém, foi o diferencial do time do Palmeiras. O jogo contra o Botafogo, aquela virada com placar final de 4 a 3, se mostrou espetacular. O menino de 17 anos mostrou muito valor. Como escrevi anteriormente, era para ser considerado a revelação do campeonato em 2023, mas a CBF, no ano passado, deu o prêmio a ele mesmo com pouquíssimos jogos na competição. Um equívoco.

No entanto, o garoto de ouro ou, pelo menos, de prata do Palmeiras foi realmente um dos melhores da competição dessa temporada. Talvez, o melhor. Hulk, Paulinho e Suárez tiveram mais regularidade, mas Endrick foi muito decisivo. 

Abraços boleiros. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

A realidade nua e crua do returno, com Palmeiras, Galo e Flamengo na frente


Camaradas, o Palmeiras, com justiça, é o quase campeão brasileiro. Por causa do saldo de gols, tem 31, o Porco está pertinho do título brasileiro. O segundo colocado, o Galo, tem 23 de saldo, e o terceiro, o Flamengo, tem 15. São os únicos clubes com possibilidades remotas de tirar a taça das mãos do Verdão. No caso do Fla, a situação é impossível. A vitória sobre o time B do Fluminense foi magrinha, magrinha. No entanto, o 1 a 0 praticamente deu a taça ao time do mal-humorado cabeça quente Abel Ferreira.

O concorrente Flamengo não passou o trator no Cuiabá. Não conseguiu dar o troco no time da Região Centro-Oeste, que o venceu com um humilhante 3 a 0 no turno. Depois do primeiro gol de Luiz Araújo parecia que o Rolo Compressor iria amassar o adversário. Nada disso. O Fla jogou de forma esquecível na segunda etapa, o Cuiabá fez um gol e teve um pênalti claro não marcado. Deyverson, depois de ser substituído, ainda tirou uma onda com a torcida rubro-negra. Pediu desculpas de forma irônica. Deyvinho fez o gol do título do Palmeiras na final da Libertadores de 2021 em cima do Mengão. O jogo valeu pelas despedidas de Filipe Luís e Rodrigo Caio do Estádio Jornalista Mario Filho.

Outra despedida foi a de Luís Suarez. Ele sairá do Grêmio. Jogou muito contra o Vasco e fez o gol da vitória. O uruguaio briga (só não pode morder) com Paulinho, Hulk e Endrick pelo prêmio de melhor jogador do campeonato. Minha seleção do Brasileirão seria em um 4-2-4, foi o ano do 4-2-4 tricolor dinizista aliás, com Endrick, Suárez, Hulk e Paulinho.

Já o outro Soares, o Tiquinho, não chegou perto de brilhar contra o Cruzeiro no Estádio Nilton Santos. Nem lá, no tapetinho, o Botafogo vence mais. Depois de melancólico 0 a 0 com o Cruzeiro, que escapou do rebaixamento (mais do que a obrigação de um clube bicampeão da Libertadores), o não tão Glorioso assim saiu do G-4 e, agora, está há dez jogos sem saber o que é vitória. O Botafogo é a maior decepção do Brasileirão. Fez a campanha acima do que todos esperavam no turno, com 47 pontos, e foi ridículo no returno. A palavra é essa: ridículo.

O que se deve refletir é que o Botafogo com aquela vantagem de 13 pontos na liderança era algo fora da realidade e da justiça do futebol. O trabalho do Luís Castro foi sensacional. Esse português é o técnico da competição. Fluminense e Internacional mereciam colocações melhores, mas priorizaram a Libertadores. O Flu se deu bem por motivos óbvios. O Colorado não. O Bragantino no G-6 é lucro para um time apenas razoável.

Abraços boleiros.

Crédito da foto: site oficial do Palmeiras

domingo, 3 de dezembro de 2023

Melhor de todos os tempos, Rayssa Leal consegue inédita nota 9 e é bicampeã da SLS

 


Rayssa Leal é uma gigante de apenas 15 anos. Assombrou a modalidade com a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, aos 13. A revelação virou realidade em período curto. Muito curto. Já confirmou que é a melhor do mundo na modalidade. Arrisco dizer que é a melhor de todos os tempos. No entanto, Rayssa, continua humilde, pois, como dizia o jornalista e teatrólogo Nelson Rodrigues, os admiradores corrompem. Não quero corromper ninguém. No entanto, o mesmo Nelson escrevia que a admiração de um ser humano pelo outro era algo muito difícil. Então, é ótimo saber admirar as e os grandes desportistas do Brasil. 

No Ginásio do Ibirapuera, a maranhense conseguiu uma nota 9 maravilhosa (inédita) na última volta. Escrever sobre as manobras? Nossa. Uma melhor do que a outra. Não tinha como o resultado ser diferente. A brasileira foi campeã da SLS Super Crown. Bicampeã. 

Mas, ô, jornalista, o que a SLS Super Crown? É a decisão da Liga Mundial de skate street, o skate de rua. A Street League é o circuito mais importante. Os outros são o X Games e o chamado Circuito Mundial.

As skatistas sempre dão duas voltas. Nossa maranhense alcançou 8,1, ficando na primeira colocação, e, logo depois, o inédito 9. Excepcional. A nordestina já conquistou quase tudo. Até X-Games. Falta o ouro olímpico. Vai conseguir.

Em São Paulo, Rayssa Leal não fez história. Ela é a História.


Foto: site da Confederação Brasileira de Skateboarding



Bola fora, Argentina! Lembrar da Copa do Mundo de 1978 é obrigatório

 

Escrevo a crônica de hoje em uma mesa, quase no cantinho, do Café Lamas, tradicional restaurante fundado em 1874 no Flamengo, bairro da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Claro que tomando cuidado para não derramar mate no computador portátil, que me custou os olhos da cara. Sim, leitoras e leitores. A máscara caiu. Sou um bebedor de mate. Vergonha dos meus amigos que gostam de uma cervejinha. Peço perdão. No máximo, bebo ‘dois’ chopes por mês. Há nove anos, eu bebia um pouquinho mais do que isso.

Atualmente, moro na Zona Oeste carioca em condomínio fechado, com vida aparentemente segura mas meio sem graça. Sinto falta do Lamas e de tudo aqui do Flamengo. Sinto falta dos tempos que vinha com meu pai. Ainda criança, presenciei debates políticos de uma turma que se preocupava com o Brasil, a América do Sul, a América Latina, a África, enfim, com o mundo.

O ano de 1989 foi especial, pois nele aconteceu a primeira eleição direta para Presidente da República depois dos tempos sombrios repressores da Ditadura Civil-Militar (1964-85). Votar novamente era a esperança de um futuro melhor.

A América do Sul sofreu muito com a violência dos chamados milicos, que não eram todos a favor da censura e tortura. Existem excelentes exemplos no Brasil como o do Professor Ivan Cavalcanti Proença, que, em plena Ditadura, exatamente no dia 1º de abril de 1964, evitou um massacre dos estudantes de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, encurralados por um grupamento paramilitar fortemente armado. No entanto, o capitão Proença se encontrava dentro de um tanque, afugentando os covardes milicianos. Ivan entrou na faculdade e salvou 400 universitários da morte. Repito: esse é um exemplo de que uma categoria inteira não pode ser condenada pela sede de sangue de líderes como Augusto Pinochet, no Chile, e todos os presidentes do Brasil entre 1964 e 85.

Voltando a falar sobre memória e família. Lá em casa, os assuntos se misturavam. Futebol e política conviviam juntos. O Café Lamas era um dos locais de debate entre parentes e amigos. Meu pai contou repetidas vezes sobre a Copa do Mundo de 1978. Essa edição foi disputada em uma Argentina em plena repressão militar. O país exalava a sangue de quem lutava contra a falta de liberdade. Talvez, tenha sido a sede de Copa mais estranha da História ao lado da do Catar. Como a Fifa deixa uma Copa ser realizada em um país com desgoverno autoritário? A da Arábia Saudita, em 2034, deve seguir os passos/moldes das de 1978 e 2022. Uma pena.

No entanto, o foco é lembrar da Copa de 1978. Como escrevi anteriormente, a Argentina sofria com um regime de carnificina que foi de 1976 até 1983. O debate sobre boicotar ou não essa edição se mostrou amplo, mas nenhum país teve peito de fazer isso. Craque da seleção holandesa, Johan Cruyff não teria ido à Argentina por protesto político. Outras versões sobre o real motivo existem. O craque da camisa 14 laranja não teria atuado na Argentina por divergências em relação a dinheiro. Enfim, sem Cruyff, aquela Copa já perdeu brilho.

A edição de 1978 ficou marcada por um resultado manipulado. O regulamento era bem complicado. Eram duas fases de grupos. A primeira com quatro grupos de quatro seleções, no qual os dois primeiros de cada grupo se classificavam para a segunda fase. Nela, tudo ficou organizado (ou desorganizado) assim:

Grupo A: Alemanha Ocidental, Áustria, Holanda e Itália.

Grupo B: Argentina, Brasil, Peru e Polônia

Observem que Argentina e Brasil estavam no mesmo grupo. O primeiro colocado iria para a final. O segundo teria direito apenas a um amistoso chamado decisão de terceiro lugar. Na Copa, decisão de terceiro lugar não vale nada, né?! Convenhamos.


O que aconteceu?

Na segunda fase, Brasil e Argentina empataram em 0 a 0. A seleção brasileira venceu o Peru por 3 a 0. A anfitriã derrotou a Polônia por 2 a 0. Na última rodada, a polêmica veio à tona porque o jogo da Argentina seria realizado três horas depois de Brasil 3 x 1 Polônia, ou seja, os donos da casa sabiam que deveriam ganhar de goleada. Além disso, o ex-goleiro Quiroga e outros integrantes daquela equipe peruana afirmaram que existiu suborno de autoridades ligadas ao regime repressor. Resultado? Argentina 6 a 0. Na final, os ‘hermanos’ venceram a Holanda, sem Cruyff, por 3 a 1. O Brasil ficou com o terceiro lugar ao derrotar a Itália por 2 a 1.

Por que escrevi sobre o Café Lamas, lembranças familiares, emocionais e intelectuais e História política recente do Brasil? Porque é obrigatório ter memória e saber sobre a História do próprio país para que besteiras e atrocidades não sejam repetidas.

Por que escrevi sobre a terrível Copa de 1978? Exatamente para mostrar a tremenda bola fora dos argentinos na eleição do ultradireitista Javier Milei, que tem uma agenda de negação de todas as atrocidades cometidas pela Ditadura Militar antes, durante e depois da Copa de 78. Quarenta anos após o fim da repressão no país, os argentinos fizeram um gol contra bizarro nas urnas por falta de conhecimento histórico. Vaias.

Felipão Sinatra comemora vitória e atuação da dupla Hulk-Paulinho

 




Hulk e Paulinho foram os heróis da noite na vitória do Galo sobre o São Paulo por 2 a 1, no Mineirão. Em tabela com Pavón, o camisa 7 fez um bonito e decisivo gol na primeira finalização certeira do Atlético-MG no jogo. Luciano empatou aos 45 minutos do segundo tempo. Parecia tudo perdido, mas Hulk deu um passe excepcional para o número 10 do Galo. Com 19 gols na competição e 30 em 2023, Paulinho, o atacante de futebol revolucionário, deu um toquezinho de futsal por cima do goleiro aos 49. Quarta vitória seguida do time comandado por Felipão. 

O Atlético está com a mesma pontuação do líder Palmeiras, com 66, mas fica na segunda posição por causa do saldo de gols menor, o segundo critério de desempate no Brasileirão.

A vitória mexeu tanto com todos no Galo que, na entrevista coletiva depois do jogo, o emotivo Felipão citou 'My Way', eternizada na voz de Frank Sinatra. 'My Way' não é uma música original, mas uma versão em inglês da francesa 'Comme d'habitude', de Claude François. O compositor Paul Anka adaptou e Sinatra cantou a versão mais conhecida. 

Os versos dessa canção 'he record shows I took the blows' (em uma tradução grosseira: as lembranças mostram que tomei alguns golpes) e 'And did it my way' (E fiz do meu jeito) têm a cara do Felipão. 

Abraços fortes e vingadores, leitoras e leitores. C'est la vie, Scolari. Eu fiz do meu jeito também, Felipão! 

Foto: site oficial do Atlético. 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Papo Profético nessa terça-feira pela manhã

Serei entrevistado por Dom Orvandil no programa 'Chimarrão Profético', do site/canal de YouTube 'Cartas Proféticas' no dia 8 de junho, às 11h. Comentarei sobre o espaço dado pelas mídias às modalidades adaptadas/paralímpicas (assim mesmo) e outros temas, como a acessibilidade, as pessoas com deficiência no mercado de trabalho e a Sociedade inclusiva. 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Protozoário ou vírus? Distopia do estado mínimo

Vivemos uma distopia há anos. Livros, filmes e séries são de limitada imaginação se comparados com a realidade brasileira. Autores consagrados parecem até ingênuos. Imunologista e oncologista, a médica Nise Yamaguchi, ao ser questionada na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, mostrou suposta confusão na hora de classificar um vírus. Caso pensado ou não?

De acordo com a categoria médica, a cloroquina é receitada para tratamento contra a malária, causada por protozoário. Contra o 'velho novo velho' coronavírus Sars CoV-2 é ineficaz. Será que a doutora Yamaguchi não sabe mesmo? Segundo as explicações de alguns veículos de Comunicação, como a 'Folha de São Paulo', Nise acertou nas definições. No entanto, alguém mandou enrolar os indivíduos? Que presente nefasto! Essa distopia do estado mínimo é terrível. '1984' é risível perto de 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021. 

ZAGALLO ETERNO TEM 13 LETRAS

A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no P...