sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Depois de conquistar a América do Sul, dinizismo não é páreo para o bilionário time comandado por Pep Guardiola

 A diferença entre as equipes da Europa e da América do Sul é quase infinita. Veja os valores dos elencos do Manchester City, de 1 bilhão de reais em investimentos e outro bilhão para pagar os astronômicos salários, e do Fluminense, de folha salarial de 30 milhões de reais, o primo pobre do Rio de Janeiro. Não é SAF como Botafogo e Vasco, e não chega perto do capital do Flamengo. Não tem como comparar. O time comandado pelo maior estrategista de todos os tempos, Pep Guardiola, conquistou o inédito título mundial. Os Citizens passam por problemas na Premier League, pois estão apenas na quarta colocação do campeonato, porém, têm maravilhosa campanha na Champions, com 100% de aproveitamento.

Mesmo com a derrota tricolor, considero oportuno e justo elogiar o time de Fernando Diniz apesar dos três erros cometidos hoje que foram fatais. Então, Renato Gaúcho, infelizmente, estava certo quando falou que, no estilo quase único do técnico do Flu, ‘errou é gol’? Que coisa!

Quase sempre fui (e ainda sou) muito crítico ao dinizismo, pois vejo mais os defeitos do que as qualidades. Dessa vez, apesar do sonho continuar impossível e do ‘inimigo’ ser invencível nesse momento, mostrarei o quanto alguns integrantes do Fluminense agradaram aos amantes do futebol bem jogado e disputado.

Fabio é um dos maiores goleiros brasileiros da História. Como nunca foi para uma Copa do Mundo? Samuel Xavier superou a desconfiança da torcida com boas atuações que começaram a ser constantes com Abel Braga. Com Fernando Diniz, o jogador tornou-se um símbolo do estilo de jogo revolucionário do técnico, pois virou um lateral sem posição fixa.

Cheguei ao ídolo máximo desse time: o artilheiro Cano. O argentino fez 44 gols no ano passado, 40 em 2023, com direito a passes e a números inacreditáveis, como os 13 gols em 12 partidas disputadas na Libertadores.

Não posso esquecer da dupla Jhon (Arias)-John (Kennedy). Arias é o maestro moderno do time do Fluminense. Está na esquerda, no meio e, principalmente, na direita para criar para os companheiros oportunidades sensacionais de gols. Arias, aliás, mostrou no jogo contra o City ser o mais competitivo do elenco. Cano tem sorte de contar com um companheiro de linha de frente tão talentoso. Caso Jhon Arias seja negociado, o Flu perde meio time.

John Kennedy demorou um pouco a amadurecer fora e dentro de campo, mas mostrou evolução a partir do jogo de volta contra o time do Argentinos Juniors, já estava marcando gols no Brasileirão, mas a divisora de águas mesmo foi a fase final da Libertadores. Com passes e gols, seja como titular ou entrando para desequilibrar no segundo tempo, o jovem integrante da seleção pré-olímpica, convocada por Ramon para uma competição na Venezuela que valerá a vaga nos Jogos de Paris, tornou-se imprescindível.

Ao lado de Arias, o volante André foi o craque do time na temporada. É verdade que falhou no segundo gol do City, mas foi/é o titular que mais entendeu o dinizismo. Muito confiante nas saídas de bola arriscadas que surpreendem os adversários, super competente na marcação, chegando a atuar de zagueiro em diversos momentos da temporada, e muito inteligente na armação de jogadas com passes curtos e longos.

Martinelli demorou um pouco a se firmar por causa de algumas lesões ou mesmo equívocos nos passes, mas atualmente tem segurança e versatilidade quase com notas máximas.

Nino é o xerife da zaga. No segundo gol do Manchester City teve azar. Tem como características interceptações e roubadas de bola sensacionais. Foi o jogador de maior regularidade na final da Libertadores. Sóbrio e inteligente.

Alexsander merece ser lembrado. Destaque da seleção campeã sul-americana sub-20 comandada por Ramon, Alexsander brilhou como lateral-esquerdo no primeiro semestre. Ele é originalmente um primeiro volante canhoto. Mostrou um estilo tático e técnico acima da média como segundo homem ao lado de André.

E o que falar de Fernando Diniz? Gostem ou não, ele é um técnico diferente. Tenho minhas muitas diferenças com ele por causa das ideias do técnico brasileiro do que deve ser o futebol. Diniz criou um jeito de jogar sem posições fixas inacreditável. Inaceitável para os antiquados e para os técnicos sem ousadia. Corre riscos, deixa, principalmente, o torcedor do Flu muito tenso, mas mudou a rotina de esquemas não-flexíveis. Não chega perto da perfeição. Comete alguns erros como o de colocar Marcelo, de 35 anos, e Felipe Melo, de 40, juntos na defesa. Fica vulnerável demais com essa experiente dupla. Marcelo deveria ser uma ótima opção do meio-de-campo para frente. Precisa esquecer a lateral esquerda. Foi Rei com R maiúsculo da posição. Foi.

Parafraseando a letra da música ‘The impossible Dream’, de Joe Darion e Mitch Leigh, adaptada pelo cineasta Ruy Guerra e pelo compositor e escritor tricolor Chico Buarque, o técnico Fernando Diniz se permitiu sonhar o sonho impossível e lutar por grandes ideias quando era fácil ceder. Acabou campeão da América do Sul e se classificando para a final do Mundial. Não venceu o adversário invencível, mas entrou para a História. Não por causa do jogo contra o Manchester City, porém, foi pela campanha na Libertadores desse ano. Sempre mostrou inteligência e teimosia. Às vezes, essa teimosia ajuda. Às vezes, atrapalha.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Fluminense dinizista se permite sonhar com o (quase) impossível, e a imprensa inglesa debocha do campeão da Libertadores

Marcelo tem 35 anos, e cinco títulos da Champions League e quatro mundiais. O Manchester City tem *129 anos e um título da Liga dos Campeões da Europa. O lateral-esquerdo do Fluminense tem história mais vitoriosa do que a dos Citizens?

Por que estou sendo agressivo nas palavras com o melhor time do planeta? Pela falta de respeito da imprensa inglesa com o Tricolor e os jogadores. O jornal ‘The Telegraph’ chamou de time de aposentados o legítimo campeão da Libertadores da América, título conquistado em uma partida fantástica contra o gigante Boca Juniors. O veículo de desinformação compara o Fluminense a uma equipe do 'Soccer Aid', competição beneficente disputada por ex-atletas.

A foto que está na reportagem do jornaleco sensacionalista britânico é a de Marcelo, ou seja, não existe respeito por um craque eterno do maior clube do planeta de todos os tempos, o Real Madrid. Aliás, Marcelo está no pódio dos jogadores mais importantes da História do Madrid, como é conhecido na Espanha.

A falta de respeito é inacreditável. Marcelo ainda é um craque. O Rei não perdeu a majestade. Ah. O lateral de mais de 30 anos não tem mais físico para acompanhar os pontas velozes? A recomposição defensiva com ele e Felipe Melo não é das melhores? Em um determinado lance, essa situação ficou evidente?

No entanto, o dinizismo é isso aí mesmo: correr (muitos) riscos para colher os frutos no final. Essa frase resume bem o dinizismo. Isso aconteceu no jogo contra o Al Ahly.


Em defesa do craque brasileiro


Percy Tau parecia passear na chamada, de forma maldosa, Avenida Marcelo? A velocidade do sul-africano esgotava o velho lateral brasileiro? Mentiras. Farsas. No segundo tempo, Marcelo driblou o tal ‘craque’ do time do Egito de forma humilhante e sofreu o pênalti que abriria caminho para a vitória do Flu. Aliás, na segunda etapa, o Tricolor foi melhor tecnica e fisicamente do que o supervalorizado Al Ahly. O campeão da América do Sul confirmava o favoritismo histórico em triunfo sobre o campeão africano.


Desconhecimento da História (com H maiúsculo) do Futebol


O Flu tem, inclusive, ligações fortes com a Inglaterra. Veja que um dos primeiros ídolos e artilheiros do Tricolor era inglês, o atacante Welfare, que se dividia entre gols importantes e aulas de matemática e geografia. Welfare era centroavante e professor. Que situação triste e debilóide foi criada pelo tablóide. Respeitem, Marcelo, o Fluminense e o Brasil. Aqui não tem ‘Complexo de Vira-Lata’.


Haaland, o artilheiro da falta de educação?


E essa história de que o camisa 9 do Manchester City não tirou foto com meia dúzia de crianças? Aliás, parece que nem sequer olhou para elas. Caso essa situação esdrúxula seja verdade, e é um pouco complicado duvidar das mães que relataram isso, que grosseria inaceitável.


O mar não está para peixe

Kevin De Bruyne, Haaland, o suposto grosseirão, e Jérémy Doku foram cortados horas antes da fase semifinal do Mundial, a partida contra o campeão asiático Urawa Red, o time que tirou o Al-Hilal da edição desse ano da competição.

O pior desempenho na ‘Era Guardiola’ está sendo nesse período. Enquanto o Manchester City está 100% na Champions League, com 18 gols em seis jogos, o time comandado por Pep é ‘apenas’ o quarto colocado da Premier League, com cinco pontos atrás do líder Arsenal. Nas últimas seis rodadas do Campeonato Inglês, perdeu um jogo, empatou quatro e perdeu um, de forma muito estranha para o Aston Villa, dando apenas dois chutes em mais de 90 minutos.


Renato Gaúcho está com inveja?

O técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, assoprou e mordeu (dessa forma mesmo) para falar sobre o estilo dinizista do jogo do Fluminense. Depois de Pep Guardiola falar bem do sistema aposicional de Diniz, Renato fez elogios ao treinador e ao time carioca. Assoprou para dar a dentada em seguida.

“Sou contra o estilo de jogo do técnico Fernando Diniz. É uma roleta-russa. Todo mundo aplaude se sair jogando de forma bonita. Errou, infelizmente, é gol”, disse o treinador do Grêmio ao podcast ‘Joga com a 10’.

Será recalque? Tudo bem que Renato tem uma Libertadores conquistada em 2017 como técnico de uma equipe de garra do Grêmio, contra o fraco Lanús, porém, quando comandava o time muito talentoso do Flu em 2008, ele conseguiu ser vice ao ser derrotado nos pênaltis para a LDU, do Equador. Aliás, com o elenco de astros do Flamengo de 2021, perdeu outra decisão da maior competição do continente sul-americano. Dessa vez, o Palmeiras levou a taça.

Enfim, o sonho do título mundial oficial é possível? Sim. Na verdade, quase impossível. No entanto, pode acontecer, pois o time de guerreiros acredita (e muito) graças ao trabalho de Fernando Diniz em todos os sentidos. Os sete jogadores com mais de 32 anos do Flu, ironizados pelo jornalzinho inglês de quinta categoria, e os garotos talentosos que completam de forma brilhante o time parecem saber os versos da música “The Impossible Dream’, de Joe Darion e Mitch Leigh, adaptada para a língua portuguesa pelos geniais Chico Buarque e Ruy Guerra e interpretada por gigantes como Altemar Dutra, Maria Bethânia, Elvis Presley e Frank Sinatra:

“Sonhar mais um sonho impossível

Lutar quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível”


*Em 1880, o Manchester City foi fundado com outro nome, FC St. Mark’s, e, logo depois, virou Ardwick Association Football Club. Em 1894, enfim, foi refundado como Manchester City.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Inesquecível Fluminense conquista a América em uma jornada familiar (O TEXTO DO TÍTULO DA LIBERTADORES, DO DIA 4 DE NOVEMBRO)

Publiquei meu texto, que está na minha coluna do Portal Terra do dia 4 de novembro, sobre o título da Conmebol Libertadores conquistado pelo Fluminense, aproveitando que o Tricolor venceu o Al-Ahly por 2 a 0, gols de Jhon (Arias) e John (Kennedy), e está na final do Mundial. 

Um título que estava escrito há seis mil anos. Uma saga de dor e esperança. Em 2008, um timaço tricolor, liderado por Thiago Silva, Conca e Thiago Neves, que não conquistou a América por detalhes. Perdeu na disputa de pênaltis depois de exibição de gala no tempo normal, vencendo a LDU por 3 a 1. Enfim, a tristeza é passado. A felicidade é o presente. A antiga Taça Libertadores é do Fluminense. O Gravatinha ajudou espiritualmente o time de guerreiros. Iluminou os caminhos dos dois artilheiros: Germán Cano e John Kennedy. Pois é! O Flu tem dois camisas 9! O argentino usa a 14 para disfarçar e não amedrontar tanto os adversários. O Sobrenatural de Almeira tentou atrapalhar com o gol espírita de Advíncula, mas o próprio ser do além se rendeu ao futebol mágico de Arias e Keno e às atuações de gala de Nino e André. O Sobrenatural virou a casaca de novo.

Como escreveria o teatrólogo Nelson Rodrigues, quem não foi ao Maracanã para assistir aquele espetáculo, infelizmente, não viveu. Os ídolos e torcedores mortos estavam lá também. Saíram de suas tumbas. Os vivos saíram de suas casas, como é o caso do corretor imobiliário e músico João Capdeville, que veio de São José de Campos, no estado de São Paulo, para assistir à final da Conmebol Libertadores. Na carteira, a foto do falecido pai, o pedagogo Vicente de Paulo, e do irmão, o jornalista Paulo Andrade, de 44 anos, que estava com ele no estádio.


Os dois dedicariam o título ao Professor Vicente, que morreu no próprio aniversário de 57 anos em 2007. A Libertadores do ano seguinte, a do genial Conca, seria a da homenagem dos filhos, mas não foi possível. Um minuto depois do título da LDU, Paulo, o primogênito, ainda recebeu uma mensagem de um conhecido flamenguista por SMS, outros aplicativos populares não existiam ainda, debochando do vice-campeonato do Flu. Não foi maldade do torcedor do Fla. Ele não sabia da questão familiar.

Os irmãos se encontraram horas antes da partida e foram ao Maracanã. O novo Estádio Jornalista Mario Filho estava lindo. A Conmebol proibiu mosaicos e o tradicional lançamento de pó-de-arroz da torcida do tricolor. Sem problemas. Bandeiras foram distribuídas para os fanáticos tricolores na arquibancada. Ficou um clima de anos 1970 e 80. Um jeitão do velho Estádio Mario Filho. Melhor. Os mortos se conectavam com os vivos. O Professor Vicente estava ali com os filhos.

Voltando a escrever um pouquinho sobre a partida, o Fluminense dominou o primeiro tempo, mas o gol demorou para sair. O time não chutava tanto assim. No entanto, o técnico Fernando Diniz tinha um plano. E que plano bem pensado e executado. Keno virou ponta-direita e ensaiava tabelas com Arias naquele setor. Aos 35 minutos, a estratégia ofensiva deu certo. Após lançamento, a defesa do Boca Juniors deu um chutão para cima, Ganso recuperou a posse da bola com um toque de cabeça para Keno, que trocou passes com Jhon Arias de forma genial. O camisa 11 deu uma linda assistência para Cano. Obviamente, Germán marcou. Foi o 13º do atacante em 12 jogos na Libertadores desse ano. Ele não atuou em apenas um. Super artilheiro da competição. Fez, até agora, 37 na temporada. Cano tem 81 gols como camisa 14 do Fluminense.

Como escrevi anteriormente, aos 26 minutos da segunda etapa, o lateral Advíncula teve a ajuda do Sobrenatural de Almeida para empatar o jogo. No entanto, com as mudanças corajosas de Diniz, o Tricolor melhorou muito na partida.

O Flu voltou a ter o domínio. Foi para a prorrogação porque o lateral-esquerdo Diogo Barbosa perdeu uma oportunidade inacreditável, depois de bonito passe de Lima, no último lance do tempo normal. No entanto, estava escrito há seis mil anos que o Tricolor venceria a final. Aos nove minutos da prorrogação, Diogo Barbosa lançou para Keno. O inspirado camisa 11 deu um simples e genial passe de cabeça para o predestinado John Kennedy pegar de primeira. Um golaço. Gol de título internacional. Merecido.

Um timaço que entrou para a História. Cano, o artilheiro. JK, o decisivo. Keno, o garçom da fase final. André, o Maestro. Nino, o zagueiro perfeito. Marcelo, a lenda. Samuel Xavier, o lateral dos gols e jogadas importantes. Jhon Arias, o craque da Libertadores.

Ah. Os irmãos João e Paulo choraram, dessa vez, de felicidade. Foi a redenção desportiva e familiar. O Professor Vicente teve a justa e inesquecível homenagem. Ele estava no Maracanã com os filhos. A família tricolor comemorou O título continental e conquistou, enfim, a América. Dessa vez, a vida e o futebol foram justos.








Fluminense confirma favoritismo contra Al-Ahly

 O Fluminense venceu o Al-Ahly com autoridade. Foi a confirmação de que o supercampeão da África não pode nunca ser favorito contra o atual campeão da Conmebol Libertadores. O Tricolor é bem superior ao time de um tal de Percy Tau. Olha o que o Marcelo fez com o ‘craque’ sul-africano. Um drible humilhante, pênalti e gol de Arias. Passou fácil. Nelson Rodrigues iria nos lembrar sobre o complexo de vira-lata, algo que o Flu não teve na semifinal do Mundial. Esse sentimento assola o país desde a derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1 na Copa do Mundo de 1950.

Esse sentimento retornou com força no dia 8 de julho de 2014 quando a seleção brasileira foi goleada pela Alemanha por 7 a 1, em pleno Mineirão, na fase semifinal da Copa daquele ano.

O Complexo de “Cachorro de Rua” vem à tona também com derrotas vergonhosas do Internacional, Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG nas semifinais de edições passadas do Mundial.

O Fluminense passou sufoco no primeiro tempo? Não foi bem assim. Fabio fez uma defesa fantástica (nada milagrosa), mas o Tricolor acertou duas bolas na trave. É normal o goleiro do Flu ter sempre uma intervenção difícil. De acordo com o esquema do Diniz, a vida é assim. Linha alta, e Marcelo e Felipe Melo com idades avançadas precisando correr para fechar a defesa. Sempre foi assim. Não é novidade.

Na segunda etapa, o Flu se mostrou muito superior ao Al-Ahly. Martinelli fez grande partida. Arias e André, principalmente o colombiano, jogaram em bom nível. John Kennedy entrou muito bem novamente, marcando o segundo gol. 

Enfim, é isso. Nada de complexo de vira-lata. O Tricolor venceu com justiça e é finalista.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O Flu pode sonhar com o título mundial?

 O Fluminense chegou à Arábia Saudita de tanta repressão, a sede do Mundial de Clubes. O que esperar do Tricolor, atual campeão da Libertadores, nessa competição? Sei que precisa passar pelo adversário da fase semifinal, o árabe Al-Ittihad ou o egípcio Al-Ahly. Esse tradicional clube africano perdeu para o Real Madrid na semifinal, e, na disputa do terceiro lugar, amargou derrota para o Flamengo por 4 a 2.

A torcida do Flu deseja, pelo menos, que o time carioca consiga a classificação à final contra o Manchester City e que, nessa possível decisão, mostre força nos sistemas defensivo e ofensivo. No entanto, a fase semifinal já será complicada. Caso enfrente o Al-Ittihad, algumas coincidêncas existem com o Flamengo, eliminado pelo Al-Hilal em fevereiro desse ano. O Al-Ittihad também é da Arábia Saudita, tem atacante brasileiro de velocidade e técnico argentino. No provável adversário do campeão da América do Sul, Romarinho é o perigo pela direita e Marcelo Gallardo comanda o time. No Al Hilal da edição passada, Michael estava na linha de frente e o treinador era Ramón Diáz, que salvou o Vasco do rebaixamento no Brasileirão.

Calma, tricolor. Não estou torcendo contra o querido Flu dinizista. Muito pelo contrário. O Fluminense é o Brasil no Mundial. 

Como chega o Al-Ittihad?

O clube da Arábia Saudita tem uma espinha dorsal do meio-de-campo para frente com um quarteto muito bom: os volantes Fabinho, prata-da-casa do Fluminense e ex-Liverpool, e Kanté, ex-Chelsea e com maior presença ofensiva, e atacantes de peso como Romarinho, ex-Corinthians, e o super artilheiro Benzema. Ainda conta com o goleiro Marcelo Grohe, campeão da Libertadores pelo Grêmio em 2017.

Time-base:

Marcelo Grohe, Shanqeeti, Hegazy, Kadesh e Zakaria Hawsawi; Fabinho, Kanté e Al-Ghamdi; Romarinho, Benzema e Igor Coronado

Técnico: Marcelo Gallardo


E o Al-Ahly?

O clube do Egito é o atual campeão africano. Foi quarto colocado da edição passada do Mundial.


Time-base:

El-Shenawi, Mohamed Hany, Yasser Ibrahim (Adelmonem), Rami Rabia e Ali Maâloul (Karim Fouad); Dieng, Emam Ashour e Marwan Attia; El Shahat (Afsha), Percy Tau e Kahraba (El Debes)

Técnico: Marcel Koller


E o Manchester City?

Já os Citizens não estão passando pelos melhores momentos da genial Era Guardiola, pelo menos, na Premier League. Nos últimos cinco jogos nessa competição, o Manchester City empatou três, perdeu um e venceu somente um. Antes de derrotar o modesto Luton Town por apenas 2 a 1, e de virada, o atual campeão da Champions League estava quatro rodadas sem ganhar no Campeonato Inglês.

Chegou a passar por momentos ruins contra o Aston Villa quando o tricampeão da Inglaterra foi neutralizado, perdeu e, por incrível que pareça, só chutou duas vezes na partida inteira. Nessa partida, o Aston Villa bateu recorde contra o City do Pep e amassou o dono da Tríplice Coroa da temporada passada com 13 chutes perigosos no primeiro tempo. Algo inaceitável com Guardiola como técnico.

Na Champions League, a fase anda bem diferente. O timaço britânico está com 100% de aproveitamento e marcou três vezes em cada uma das seis rodadas. Total de 18 gols. O que assusta o treinador e os torcedores na Premier e na Liga dos Campeões da Europa é a quantidade de gols que a defesa sofreu.

Na Premier, levou dez nos últimos cinco jogos. Nessa caminhada mais complicada chegou a empatar em 4 a 4 com o Chelsea. No clássico com o Liverpool, 1 a 1. Na partida contra o Tottenham, 3 a 3. Na Champions League, levou sete em seis rodadas.

Veja os últimos jogos do Manchester City:


12/11 – 4 a 4 com Chelsea (Premier League)


25/11 – 1 a 1 com Liverpool (Premier League)


28/11 – Vitória de 3 a 2 sobre o RB Leipzig (Champions League)


3/12 – 3 a 3 com o Tottenham (Premier League)


6/2 – Derrota para o Aston Villa por 1 a 0. City deu apenas dois chutes a gol. (Premier League)


10/12 – Vitória de virada sobre o Luton Town por 2 a 1. (Premier League)


13/12 – Fora de casa, o Manchester City vence o Estrela Vermelha por 3 a 2. (Champions League)


Departamento médico inglês

Os Citizens possuem algumas baixas até agora, como o camisa 9, o centroavante norueguês Erling Haaland, e o novo contratado, o ponta-esquerda Jérémy Doku. Haaland está machucado com lesão no pé depois de marcar 14 gols e dar quatro assistências em 15 jogos. Não marca há quatro rodadas, mas tem média de 0,93 por partida.

Os belgas Kevin de Bruyne e Jérémy Doku também não estão atuando. Todos no departamento médico. O cerebral de Bruyne teve uma fissura parcial muscular na coxa direita com intervenção cirúrgica e, provavelmente, não estará no Mundial. O veloz e habilidoso Doku teve lesão muscular em local não-divulgado, mas, talvez, marque presença na semifinal ou final da maior competição internacional. O zagueiro-volante Stones retornou no jogo contra o Luton Town.

No sábado, a três dias da semifinal do Mundial de Clubes, o City enfrenta o Crystal Palace, e Haaland continua como dúvida. A equipe comandada pelo posicional Guardiola precisa vencer para continuar a perseguição ao novo líder, o Liverpool, que tem 37 pontos, e ao atual segundo colocado, o Arsenal, com 36. O algoz Aston Villa se encontra na terceira posição e tem 35. No quarto lugar, o tricampeão inglês soma, até agora, 33.

O time-base do Manchester City sem Kevin de Bruyne, Jérémy Doku e Erling Haaland:

Ederson, Walker, Rubén Dias, Stones (Akanji) e Gvardiol; Rodri, Kovacic; Bernardo Silva, Foden e Grealish; Julián Álvarez


Time-base com Jérémy Doku e Haaland:

Ederson, Walker, Rubén Dias, Stones (Akanji) e Gvardiol; Rodri, Bernardo Silva; Foden, Julián Álvarez e Jérémy Doku; Haaland


No próximo capítulo, escreverei sobre pontos fortes e fracos do atual campeão da Libertadores, o Fluminense.


Abraços boleiros e internacionalistas.

No grupo da morte, PSG de Mbappé se classifica no sufoco na Champions League

O atual vice-campeão alemão, o amarelão Borussia Dortmund, recebeu o PSG pela sexta rodada da Liga dos Campeões da Europa. Nesse jogo, um lance espetacular aconteceu logo aos 16 minutos do primeiro tempo. Mbappé driblou o goleiro e chutou. O zagueiro Süler deslizou no gramado, levantou a perna direita e conseguiu evitar o gol. Fantástico. No comecinho da segunta etapa, o Borussia abriu o placar com Adeyemi. No entanto, o empate veio logo em seguida. Gol de Zaïre-Emery com direito à jogada de Mbappé. O craque francês fez o segundo, mas o VAR anulou, pois viu impedimento. O PSG passou na segunda colocação no sufoco, algo quase decepcionante com o investimento feito para a formação do elenco. Borrussia terminou no primeiro lugar. 

Na partida entre Newcastle e Milan, o zagueiro Tomori salvou um gol certo do time inglês de Bruno Guimarães. No entanto, não demorou para o Newcastle abrir o placar. O brasileiro Joelinton fez bonito gol. Joe merece mais e mais chances na seleção brasileira. Mesmo com boas atuações dos brasileiros do Newcastle, o Milan empatou e virou, com Pulisic e Chukwese respectivamente. Italianos na Liga Europa.

O time misto do Manchester City venceu o Estrela Vermelha, fora de casa, por 3 a 2. Os gols do City, 100% na fase grupos, foram de Hamilton, Oscar Bobb e Kalvin Phillips. Para o Estrela, o meia sul-coreano In-Beom e o camisa 10, o bom Katai, descontaram. A equipe de Pep Guardiola marcou exatamente três gols em cada uma das seis partidas. No entanto, anda levando muitos gols com os times A e B.

Na terça-feira, o Manchester United pagou mico. Foi eliminado com a humilhante última colocação do Grupo A, com quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória. Perdeu para o invicto e líder Bayern de Munique por 1 a 0, bonito passe de Kane para Coman marcar, no Old Trafford. Os Diabos Vermelhos não vão nem para a Liga Europa.

Na Holanda, o PSV empatou com o Arsenal em 1 a 1. Os dois, os londrinos como primeiros colocados do Grupo B, se classificaram às oitavas-de-final. Já o Real Sociedad foi até Milão e arrancou um empate sem gol com a Internazionale. O clube espanhol empatou na pontuação, mas ficou na liderança.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Palmeiras é dodecacampeão (ou duodecacampeão), Vasco e Bahia escapam da Série B e Santos é rebaixado pela primeira vez na História desse país

 

Amigas e amigos, o Palmeiras é dodecacampeão! Uhu! Dá-lhe, Porco! Mas o que é isso? Doze vezes. Ah! Então, o Verdão é 12 vezes campeão brasileiro. Ok. Depois de empatar em 1 a 1 com o Cruzeiro, o título deixou de ser virtual para ser real. Endrick, o garoto de ouro, fez mais um.

Já falei sobre o Palmeiras de grandes jogadores como Endrick, enfim, uma realidade de 17 anos, Zé Rafael, Raphael Veiga e Gustavo Gómez, mas o que chamou a atenção foi a luta contra o rebaixamento. Três campeões brasileiros lutando pela permanência na elite. O Bahia surpreendeu e deu uma goleada no Atlético-MG de Hulk, Paulinho, Arana e Everson. Com Rogério Ceni no comando, o Tricolor baiano amassou o Galo forte e vingador por 4 a 1. O gol de honra foi do artilheiro da competição Paulinho (20 tentos). ‘Bahêa’ conseguiu a permanência na competição, de maneira surreal, e o Galo, depois de bela reta final, termina na terceira colocação.

Em São Januário, o Vasco sofreu com o sexto colocado no Brasileirão, o Bragantino. Lucas Evangelista, Helinho, Léo Ortiz & Cia assustavam a torcida da Zona Norte carioca. No entanto, o humilhado camisa 70, Serginho, fez o gol da salvação. Vasco 2 a 1. Já o Santos não teve sorte na última rodada do Brasileirão. Na Vila Belmiro, o Fortaleza de Juan Pablo Vojvoda não deu trégua para o Peixe. Até a lei do ex estava presente no estádio. Marinho marcou um dos gols do Tricolor cearense, o Tricolor do Pici. Leão venceu por 2 a 1, e o time precisou sair antes do apito final por causa da confusão no estádio. Pela primeira vez na História do campeonato brasileiro, Santos – tricampeão da Libertadores e bi mundial – rebaixado. Caos na cidade. Santos caiu no Brasileirão em homenagem ao Rei Pelé. Tragédia alvinegra praiana.

Voltando a escrever sobre a parte de cima da tabela, o vice-campeão brasileiro é o Grêmio. Vitória sobre o Fluminense por 3 a 2 em pleno Maraca. Luis Suárez fez dois bonitos gols, o primeiro em contra-ataque driblando o goleiro Fábio e o segundo em cobrança de pênalti com cavadinha à lá ‘Loco’ Abreu. John Kennedy fez um golaço. Arias deixou o dele em cobrança de penalidade máxima. Everton Galdino também marcou para o Imortal.

O Flamengo de Tite foi derrotado pelo São Paulo por 1 a 0. Gol do bem-humorado Luciano. O Rubro-Negro ficou na quarta posição. Já o Botafogo completou 11 jogos sem vencer. Enfrentou o forte Inter e foi derrotado por 3 a 1. O não tão Glorioso ficou na quinta posição. Decepção.

E o Corinthians? Depois de correr risco de rebaixamento, ficou em limbo sem graça. Conseguiu a vitória sobre o rebaixado Coritiba por 2 a 0. Romero deixou o dele.

Mais jogos do limbo do Brasileirão? Cuiabá 3 x 0 Athletico-PR e o clássico da ‘Série B’ de 2024: Goiás 1 x 0 Coritiba.

Quem caiu para a Segundona do ano que vem? Santos, Goiás, Coritiba e América-MG. Quem subiu para a elite? Vitória (campeão), Juventude, Criciúma e Atlético-GO. Em 2024, tem Ba-Vi no Brasileirão.


Abraços dodeca...dodecaca...dodecacam...dodecacampeões...ou duo...duode...duodeca...duodecaca...duodecacam...duodecacampeões!!!





ZAGALLO ETERNO TEM 13 LETRAS

A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no P...