terça-feira, 24 de março de 2020
Vírus da paranoia - Folhetim virtual em notas
Medo. Essa é a definição do sentimento do jornalista Pedro Rodrigues diante daquele vírus devastador. O Governo decretou calamidade pública. Todos deveriam se trancar em casa, pois o contágio era alto. Alguns falavam que matava pouco, que a porcentagem de letalidade era baixa. Como assim, matava pouco? Comentavam que era fatal apenas para idosos e pessoas de outras faixas etárias com problemas de saúde sérios. Para liquidar um homem de 40 anos, de forma gélida argumentavam, era preciso que esse sujeito tivesse doenças crônicas, fosse fumante etc.etc. A frieza de relativizar as milhares de tragédias no mundo. Um garoto de 21 anos faleceu na Espanha. Um homem de 49 não suportou no Brasil. 'Você tem que ser um em 500'. Numerar a existência é terrível. Pedro Rodrigues pensava isolado naquele quarto, era até um bom quarto, em um apartamento na Avenida Mem de Sá, na Lapa, Centro do Rio de Janeiro. 'O AZAR PODE CHEGAR DE MANSINHO! E se ela, a morte, olhar com ternura para mim?', pensava e chorava.
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