quinta-feira, 27 de maio de 2021

Ao mestre

Compositor de vários sambas inesquecíveis, cronista, artista plástico e presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira, minha escola, Nelson Sargento faleceu aos 96 anos nessa quinta-feira pela manhã no Instituto Nacional de Câncer, o Inca, no Centro do Rio de Janeiro, por causa de complicações causadas pela doença Covid-19. Foi minha primeira entrevista publicada em revista (Atuação Universitária). 

Fiz amizade com o gênio. Fui nas rodas de samba e nos shows dele. Nelson achava graça quando eu escrevia no guardanapo o pedido para cantar 'Idioma Esquisito'. 

Fiquei viciado nessa canção ao ler 'A linguagem nossa de cada dia', do excelente professor de Linguística André Valente, que fez bela análise dessa letra apenas com proparoxítonas e alguns neologismos. Nelson teve centenas de composições imortais. 

Muito tempo depois, longe do pagode, como produtor, eu o convidei para participar do programa esportivo-cultural da TV Brasil 'Repórter África', durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Quando entrou na redação, Nelson me reconheceu. 'Meu camarada de samba', ele disse com o sorriso cheio de luz.

Como o samba, Nelson não morre. O compositor não morrerá. O artista mangueirense é eterno e estará sempre em pé. 

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