terça-feira, 16 de setembro de 2008

Supercampeão da alegria!

JORNAL LANCE! - PAULO VITOR

Daniel Dias. Ao lado do judoca Antônio Tenório, do velocista Lucas Prado e dos nadadores Andre Brasil e Verônica Almeida, esse é o grande nome do Brasil nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Com má formação congênita nos braços e na perna direita, o grande campeão das classes S5, SB-4 (peito) e SM-5 (medley) mostrou sua competência no famoso Cubo D'água. Ele conquistou nove medalhas, sendo quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Daniel, de apenas 20 anos, é um recordista nas piscinas e na vida.

No Mundial de Natação, em 2006, conquistou a medalha de ouro nos 200m medley e 100m livre e a prata nos 50m borboleta e 50m costas. No revezamento 4x50m medley, também conseguiu o ouro, com recorde mundial.

O atleta foi o recordista de medalhas no Parapan do Rio-2007 ao conquistar oito ouros. Ele e a remadora Cláudia dos Santos (campeã mundial no skiff simples no ano passado) receberam o prêmio 'Brasil Olímpico', no Teatro Municipal, na tradicional Cinelândia, Centro do Rio. Daniel também foi indicado com muita justiça ao Oscar do Esporte na categoria atleta com deficiência. Não ganhou, mas ficou entre os cinco melhores do mundo.

Medalha de ouro em Atlanta-1996 nos 50m borboleta classe S7, José Afonso Medeiros, o Caco, rasgou elogios ao jovem talento brasileiro. "Ele merece tudo isso. Sua atitude perante os outros é linda. Daniel está sempre de bom humor, sorri muito. A alegria dele é contagiante", disse Caco.

José Afonso lembrou da importância do trabalho de Marcos Rojo, o técnico de Danizinho, como é chamado pelos amigos. "Marcos deveria fazer parte da comissão técnica. Ele e Daniel formam uma dupla imbatível", afirmou.

Daniel Dias é um exemplo para os arrogantes de plantão. Ele conquistou a China com medalhas, recordes e, principalmente, alegria.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Velozes, furiosos e escassos

JORNAL LANCE - PAULO VITOR

Medalha de bronze em Seul-1988 nos 100m rasos para velocistas em cadeira de rodas. Este é Iranílson Silva, o Tita, de 46 anos. Após participar de quatro Jogos Paraolímpicos, o ex-atleta, que tem seqüelas de poliomielite, resolveu trabalhar no ramo de acessórios tecnológicos. Tita analisou a falta de renovação entre os cadeirantes brasileiros. Na Paraolimpíada de Pequim, o Brasil tem como representante único dessa classe nas pistas Ariosvaldo Silva (T53).

Segundo Tita, ou Titã (para alguns amigos), o atletismo para cadeirantes é um esporte caro. Um equipamento de ponta custa de R$ 20 a R$ 25 mil.

- Um par de rodas custa de R$ 5mil a R$ 6 mil. As rodas de primeira categoria são feitas de fibra de carbono. Além disso, a maioria das cadeiras tem um material usado na construção de aviões: o titânio – explica Iranílson.

Desta forma, fica difícil um cadeirante competir. O custo é muito alto e, de acordo com Tita, a locomoção até o local de treinamento é dificultada pela falta de acessibilidade nas cidades brasileiras, inclusive nos grandes centros urbanos, e nos transportes. O campeão também apontou outro motivo para a falta de brasileiros nas pistas.

- Como falta dinheiro, os atletas preferem as competições de rua porque existem bons prêmios que ajudam na manutenção do equipamento e na continuação dos treinos. Todos estão deixando de lado as pistas – disse Tita, com uma tristeza indisfarçável na fala.

Em um esforço de preservar a história de um dos símbolos do desporto paraolímpico, o atletismo de cadeirantes, ele lembrou de grandes nomes do passado: Carlos Alberto, Sandra Perez e outros. Tita insistiu no tema da renovação.

- Precisamos de novos valores. O atletismo de cadeirantes sempre foi o carro-chefe dos Jogos Paraolímpicos – afirmou.

NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS NO CANAL SPORTV!




A foto acima é o registro de uma das vitórias do site NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS. O jornalista Paulo Vitor Ferreira (terceiro sentado da esquerda para a direita) aparece ao lado dos ex-atletas paraolímpicos Luiz Cláudio Pereira (arremesso de peso e lançamento de dardo e disco) e Robertão (basquete em cadeira de rodas). O apresentador do Momento Paraolímpico, Marcelo Barreto, e o comentarista Leonardo Mataruna estão em pé. MAIS UMA MEDALHA PARA UM JORNALISTA BATALHADOR!

domingo, 14 de setembro de 2008

NOTÍCIAS PARAOLÍMPICAS NA TV!

O jornalista Paulo Vitor Ferreira, do site Notícias Paraolímpicas, participou neste domingo do programa EsporTVisão pela segunda vez. Paulo Vitor comenta sobre os Jogos Paraolímpicos em boletins diários na TV Brasil, às 18h e 0h10m, e no Stadium. O repórter também foi um dos convidados do Momento Paraolímpico, no canal SporTV. Além disso, é colunista do Lance!

Andre Brasil: o atleta imprescindível




Jornal Lance - Paulo Vitor


Medalha de ouro e recordista mundial nos 100m borboleta nos Jogos de Pequim. Conquistas e outras marcas no Parapan do Rio-2007, no Aberto da Alemanha, onde recebeu ursinhos de pelúcia como prêmios, e no Eurowaves, em Chomutov, na República Tcheca. A carreira de André Brasil, nadador da classe S10, é brilhante. Esses resultados aconteceram graças a muita dedicação. Ele treinou sete horas por dia no Clube Pinheiros, em São Paulo, durante a preparação para a Paraolimpíada, e participou de competições com atletas sem deficiência. Mas as lágrimas também fizeram parte de sua trajetória.

Clodoaldo passou por um drama ao ser reclassificado para S5. André ficou receoso após ver o que aconteceu com o amigo. Ele deve ter lembrado de um fato triste em sua vida. Em 2005, durante os Jogos da Paz, realizados no Rio, os classificadores resolveram torná-lo inelegível, ou seja, não poderia disputar provas de natação paraolímpica. Com uma pequena seqüela de poliomielite na perna esquerda, Andre sofreu com a decisão do Comitê Paraolímpico Internacional.

Ele ganhou peso e deixou a barba crescer. Foram sete meses de angústia. A fisioterapeuta Ana Carolina Assumpção, namorada do atleta, contou sobre esses dias.

- Andre ficou abalado psicologicamente -, disse Ana Carolina.

No entanto, o Comitê Paraolímpico Brasileiro recorreu e, graças ao trabalho das classificadoras Adriana Diedrich e Jacqueline Pennafort, que estudaram o caso de Andre, o nadador voltou a competir na África do Sul, em 2006. Nunca mais parou.

Andre Brasil demonstrou, com a sua luta, que é possível vencer as batalhas diárias da vida. O atleta pode se encaixar perfeitamente como exemplo para a frase do poeta Mário Quintana: "Deficiente é aquele que não consegue mudar sua vida".

Foto Divulgação/CPB

Na foto, Andre Brasil e a revelação Phelipe Rodrigues (ouro e prata, respectivamente, nos 50m e 100m livre)

sábado, 13 de setembro de 2008

O doping da cordinha em Pequim

Jornal Lance - Paulo Vitor

O atleta da classe T13 (baixa visão) Luciano Alves, de 23 anos, deu uma entrevista polêmica à coluna 'Espírito Paraolímpico'. Com a experiência de quem já foi campeão brasileiro de salto em distância e recordista do salto triplo, além de ser o atual segundo colocado do ranking nacional no pentatlo moderno, ele disse que a arbitragem no Ninho do Pássaro está sendo conivente com as violações à regra.


Segundo Luciano, que tem catarata congênita, o chamado 'doping da cordinha' vem acontecendo de maneira exagerada em Pequim. Para ele, por exemplo, a chinesa Chunmiao Wu superou Terezinha Guilhermina e Ádria Santos nos 100m T11 (cegueira total) por causa de uma 'mãozinha' de seu guia.

Luciano chegou a ironizar a cerimônia de entrega das medalhas dessa prova.

- A chinesa entregou a medalha ao guia. Parecia até que foi uma maneira de homenagear quem realmente conquistou o ouro. Os árbitros na China parecem não enxergar esse tipo de violação da regra – disse Luciano.

Ele chegou a comparar a arbitragem dos Jogos com a do Brasil.

- Em outras paraolimpíadas, a fiscalização era maior. Tudo isso estaria acontecendo para beneficiar a China? No Brasil, estamos mais atentos a esses tipos de infração – verbalizou.


Luciano comentou sobre as obrigações do guia: orientar e ficar ao lado ou atrás do atleta.

Outro fato o incomodou. Alguns guias estariam sem condições físicas para o acompanhamento dos atletas durante as provas. Ele lembrou o caso do angolano Jose Armando Sayovo, medalha de prata nos 100m T 11.

- O guia o atrapalhou. Isso ficou nítido. A Angola não tem tradição no atletismo olímpico. Por isso, Sayovo não encontrou alguém a sua altura para acompanhá-lo na prova – afirmou Luciano.

Pelo jeito, existe algo além do céu e da terra no desporto paraolímpico.

Foto de Pedro Rezende/CPB

MULHERES DE OURO



Foto Divulgação/CPB

Terezinha Guilhermina conquistou o bronze nos 400m T12. Ela foi uma guerreira porque competiu com atletas com baixa visão. Terezinha tem cegueira total e é da classe T11. Corre acompanhada de um guia, o popular Chocolate. Já Verônica Almeida mostrou seu valor na S7 ao chegar em terceiro lugar nos 50m borboleta. As mulheres transformam a Paraolimpíada em um sonho de todas as cores. Citando Álvares de Azevedo, 'minha musa é a lembrança dos sonhos em que vivi'.

ZAGALLO ETERNO TEM 13 LETRAS

A morte é um ensinamento bruto de que o fim existe. É uma dolorosa lição de que precisamos ter uma biografia interessante na trajetória no P...