JORNAL LANCE - PAULO VITOR
Medalha de bronze em Seul-1988 nos 100m rasos para velocistas em cadeira de rodas. Este é Iranílson Silva, o Tita, de 46 anos. Após participar de quatro Jogos Paraolímpicos, o ex-atleta, que tem seqüelas de poliomielite, resolveu trabalhar no ramo de acessórios tecnológicos. Tita analisou a falta de renovação entre os cadeirantes brasileiros. Na Paraolimpíada de Pequim, o Brasil tem como representante único dessa classe nas pistas Ariosvaldo Silva (T53).
Segundo Tita, ou Titã (para alguns amigos), o atletismo para cadeirantes é um esporte caro. Um equipamento de ponta custa de R$ 20 a R$ 25 mil.
- Um par de rodas custa de R$ 5mil a R$ 6 mil. As rodas de primeira categoria são feitas de fibra de carbono. Além disso, a maioria das cadeiras tem um material usado na construção de aviões: o titânio – explica Iranílson.
Desta forma, fica difícil um cadeirante competir. O custo é muito alto e, de acordo com Tita, a locomoção até o local de treinamento é dificultada pela falta de acessibilidade nas cidades brasileiras, inclusive nos grandes centros urbanos, e nos transportes. O campeão também apontou outro motivo para a falta de brasileiros nas pistas.
- Como falta dinheiro, os atletas preferem as competições de rua porque existem bons prêmios que ajudam na manutenção do equipamento e na continuação dos treinos. Todos estão deixando de lado as pistas – disse Tita, com uma tristeza indisfarçável na fala.
Em um esforço de preservar a história de um dos símbolos do desporto paraolímpico, o atletismo de cadeirantes, ele lembrou de grandes nomes do passado: Carlos Alberto, Sandra Perez e outros. Tita insistiu no tema da renovação.
- Precisamos de novos valores. O atletismo de cadeirantes sempre foi o carro-chefe dos Jogos Paraolímpicos – afirmou.
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