Serguei Eisenstein mudou a História da Sétima Arte para sempre. Foi
um grande realizador e teórico. Nessa semana, um preâmbulo sobre a
obra desse gênio
Serguei Mikhailovith Eisenstein foi o aclamado e mais lembrado
cineasta do movimento soviético de Cinema. Ele observou a montagem
como coração do filme. Foi diretor de clássicos como ‘A Greve’,
‘Encouraçado Potemkin’, ‘Outubro’, ‘Alexander Nevski’ e
‘Ivan, o Terrível – Partes 1 e 2’. Teve Grigori Aleksandrov
como grande colaborador, um parceiro eterno na direção, que montou
‘Que viva México’, em 1979, de acordo com as indicações de
Serguei.
Eisenstein nasceu em 21 de janeiro de 1898 em
Riga, na Letônia. O pai de Eisenstein, Mikhail, era engenheiro e a
mãe, Iulia Ivanovna Konetskaya, filha de comerciante. A família era
de classe média. Iulia deixou Riga no ano da Revolução de 1905,
levando Serguei para São Petersburgo.
Serguei frequentou escola estatal de Ciências e
estudou no Instituto de Engenharia Civil de Petrogrado, seguindo,
pelo menos até ali, os passos do pai, que se formou no mesmo lugar.
Na oportunidade, tornou-se poliglota e leu várias obras em francês,
alemão e inglês. Fundou grupo de Teatro Infantil, sendo ator do
mesmo. Era tão criativo que fez desenhos animados.
Em 1915, mudou-se para Petrogrado, continuando os
estudos no mesmo instituto citado anteriormente. Recebeu influências
do Teatro de Vsevolod Meyerhold e Nikolai Yevreinov e, por iniciativa
própria, estudou Arte Renascentista.
No entanto, em 1918, ao lado de muitos camaradas,
o futuro gênio do Cinema fez parte do Exército Vermelho. Dois anos
depois, foi transferido para posição de comando em Minsk após
grandes serviços como engenheiro para a União Soviética.
Concluído em 1924, o primeiro filme de
Eisenstein, ‘A Greve’, criou nova técnica de edição, que se
chamava naquela oportunidade de montagem intelectual ou dialética.
Ficou (re)conhecida também como montagem de atrações, ou seja, as
imagens são escolhidas independentemente da ação das cenas,
apresentadas para extrair o máximo de impacto psicológico e não em
sequência linear (cronológica). Em
1925, com 27 anos, Eisenstein filmou em dois meses o
extraordinário ‘Encouraçado Potemkin’, que antecipou a
linguagem do videoclipe. Dois anos depois, para as comemorações dos
dez anos da Revolução Soviética, fez ‘Outubro’. O filme foi
lançado apenas em 1928, porque Eisenstein foi obrigado por Josef
Stalin a retirar todas as cenas que incluíam a personagem Leon
Trotsky, comandante do Exército Vermelho.
Eisenstein
começou a se tornar figura indesejável às autoridades soviéticas,
pois incluiu Trotsky em ‘Outubro’, algo que deveria ser
obrigatório pela questão de justiça histórica, e foi acusado de
amenizar a propaganda stalinista com estrutura complexa e abundância
de metáforas abstratas. Em nenhum outro filme a busca do diretor por
nova linguagem cinematográfica chegou a esse radicalismo artístico.
Por isso, ‘Outubro’ também é considerado essencial.
O
cineasta viajou aos Estados Unidos para assinar contrato e trabalhar
na MGM, mas não aprovou o estilo industrial de Hollywood.
Decepcionado com a aventura
no coração do capitalismo, Serguei retorna à União Soviética,
mostrando que ainda estava em grande forma quanto à sensibilidade
artística. Além da propaganda antinazista, ‘Alexander Nevski’ é
um dos filmes mais importantes da história na relação grandes
sequências-trilha sonora (efeitos sonoros).
Sempre ambicioso e aceitando desafios, Serguei
Eisenstein pensou em filmar ‘Ivan, o Terrível’ em três partes.
Com a Segunda Guerra Mundial, tudo se complicou e ele conseguiu
chegar até a realização da primeira continuação. Stalin
novamente entrou em seu caminho, pois não gostou da abordagem
política e das alusões a sua figura. ‘Ivan, o Terrível – Parte
2’ foi lançado somente em 1958. O cineasta morreu de ataque
cardíaco em 11 de fevereiro de 1948, com apenas 50 anos. Foi
sepultado no Cemitério Novodevichy, Moscou, na Rússia.
Filmografia:
A Greve (1924)
Encouraçado Potemkin (1925)
Outubro (1927, exibido apenas em 1928)
Que viva México (1931, finalizado após o falecimento do diretor)
Os Cavaleiros de Ferro (1938)
Alexander Nevski (1938)
Ivan, o Terrível (1944)
Ivan, o Terrível. Parte 2 (1958, exibido dez anos depois da morte do
cineasta)
3 comentários:
Paulo, você aumentou a pesquisa sobre ele.Você já assistiu a todos?
Paulo, você aumentou a pesquisa sobre ele.Você já assistiu a todos?
Quase todos. Eisenstein merece ser pesquisado por anos. Em breve, artigos sobre vários filmes de outros cineastas. Escrevo para o site 'O Partisano' também.
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